A
carta da doação da Capitania de Ilhéus para Jorge de
Figueiredo Correia foi
assinada em Évora, a 26 de junho de 1534. Não podendo ou não
querendo vir
pessoalmente comandá-la, o donatário mandou em seu
lugar o espanhol
Francisco Romero, que se instalou inicialmente na ilha
de Tinharé, onde hoje
situa-se o Morro de São Paulo, vindo mais tarde para a Baía
do Pontal.
Chegando à baía do Rio dos Ilhéus, fundaram a sede
da capitania no morro
situado na entrada da barra, dando o nome de São Jorge dos Ilhéus.
Foi uma
homenagem ao donatário Jorge e Ilhéus, devido às ilhas
que se encontram na
costa.
Nos primeiros anos o progresso da vila era grande, atraindo todo tipo
de gente. Em 1556, a vila possuía sua igreja e alcançava relativa produção
de
cana-de-açúcar. Jorge de Figueiredo doou pedaços de terra - sesmarias
- a
figuras importantes do reino. Em 1537, fez doação a Mém de Sá, terceiro
Governador Geral do Brasil. A sesmaria ficava no Engenho de Sant’Ana,
onde
hoje está localizado o povoado de Rio do Engenho.
Ainda restam vestígios desse engenho que foi explorado pelos jesuítas,
onde
está localizada a capela de Nossa Senhora de Sant’Ana - uma das mais
antigas igrejas do Brasil.
Com a morte do donatário em 1551, a capitania várias
vezes mudou de dono, entrando em decadência a cada dia, transformando-se
numa vila que buscava apenas a subsistência.
"A posição da Vila de São
Jorge é muito bonita. A ponta de terra arenosa, em cuja margem ocidental
está
edificada a vila, é guarnecida de um profuso coqueiral ondeante, imprimindo
um particular encanto à bela palmeira onde quer que apareça.
Quem apreciar
com olhar encantado essa paisagem adorável, e lembrar-se de que, já no ano
de 1540, se havia fundado aqui uma colônia portuguesa, perguntará a si
mesmo por que não se encontra aí uma cidade populosa e próspera, e apenas
algumas cabanas pobres, em ruas cheias de capim. Atualmente a povoação
não tem uma só casa sólida, pois o Colégio dos Jesuítas, construído em 1723
com grés e tijolos, desabitado e abandonado, já começa a cair em ruína.
A vila e toda sua freguezia contam hoje com apenas 2.400 almas, embora
seja a cabeça da comarca de Ilhéus e residência do ouvidor" (SPIX; MARTIUS,
1976 apud SALES, 1981, p.91).
Com o fim do sistema de Capitanias
Hereditárias, as terras brasileiras voltaram para as mãos do governo
português. Nessa época teve início o plantio do cacau com as primeiras
sementes trazidas do Pará, pelo francês Louis Frederic Warneau, plantadas
na fazenda Cubículo, às margens do rio Pardo, hoje município de Canavieiras.
Como não se tinha conhecimento da importância do chocolate na alimentação,
mais importante era o plantio da cana-de-açúcar, pois rendia mais. No século
seguinte, nas primeiras décadas, com a chegada dos alemães, começou
o
plantio do cacau como cultura rentável. E até 1890 foram os estrangeiros
que
plantaram cacau.
Em 28 de junho de 1881, a Vila de São Jorge dos Ilhéus foi
elevada à categoria de cidade através da Lei 2.187, sancionada pelo Marquês
de Paranaguá, Presidente da Província da Bahia.
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